Newsletter ESG Agrifood #1 – Abril 2026

A Voz da Direção

Associação dos Agricultores do Ribatejo: 50 anos de sustentabilidade

No ano em que comemoramos 50 anos de existência e serviço, a Associação dos Agricultores do Ribatejo (AAR) inicia, com o lançamento desta newsletter, um novo espaço de comunicação regular com os nossos associados e com todos os que acompanham com interesse a evolução do setor agrícola e agroalimentar.

Este primeiro número surge num momento especial, marcado pelo arranque do projeto ESG Agrifood, uma iniciativa, promovida pela AAR em parceria com a Tagusvalley, que pretende contribuir para uma melhor compreensão e integração das temáticas da sustentabilidade no setor.

Falar hoje de sustentabilidade é, inevitavelmente, falar de melhor gestão, num processo impulsionado por um conjunto crescente de pressões regulatórias, por exigências cada vez mais claras dos mercados e também por uma maior consciencialização da sociedade.

No entanto, é importante afirmar com clareza: a agricultura portuguesa, e em particular os agricultores do Ribatejo, não partem do zero neste caminho.

Há décadas, e a AAR é testemunha disso ao longo destes 50 anos, que os agricultores trabalham com base em princípios que hoje reconhecemos como pilares da sustentabilidade: a gestão eficiente dos recursos, a adaptação às condições naturais, a preservação dos solos, a resiliência face à incerteza, a melhoria das condições de trabalho, o cuidado com o território e a transparência na gestão.

Esta realidade deve ser valorizada e reconhecida.

No entanto, seria um erro ignorar que o contexto atual exige novos níveis de exigência, organização e capacidade de resposta.

É neste equilíbrio, entre valorização do que já existe e preparação do que ainda é necessário fazer, que surge o projeto ESG Agrifood.

Com uma abordagem estruturada, o projeto pretende ajudar a traduzir conceitos às vezes ainda estranhos — como os critérios ESG (Ambiental, Social e Governança) — em ferramentas práticas, aplicáveis à realidade concreta das explorações agrícolas e das empresas agroalimentares. Pretendemos igualmente contribuir para uma melhor compreensão dos impactos, diretos e indiretos, da legislação existente e prevista, bem como das dinâmicas de mercado que irão moldar o setor nos próximos anos.

Longe de ser um exercício fechado, o projeto ESG Agrifood pretende ser, acima de tudo, um processo de construção coletiva.

Ao longo dos próximos meses, a Associação dos Agricultores do Ribatejo promoverá um conjunto de momentos de trabalho e reflexão com diferentes stakeholders da cadeia de valor, produtores, indústria, distribuição, fornecedores, setor financeiro, academia e decisores públicos, com um objetivo simples, mas exigente: garantir que as respostas que venham a ser construídas são úteis para os agricultores, realistas e alinhadas com os desafios concretos do terreno.

Esta newsletter será parte integrante desse processo.

Mais do que um instrumento de divulgação, pretende afirmar-se como um espaço de informação, reflexão e partilha, onde se cruzam diferentes perspetivas sobre o futuro do setor. Aqui procuraremos destacar tendências relevantes, dar voz a especialistas e contribuir para uma leitura informada e crítica.

Num contexto em que muito se discute o futuro da agricultura, importa recentrar o debate: descartar o tema da sustentabilidade não é uma opção, mas também a mesma não pode surgir como uma imposição desligada da realidade. Tem de ser construída com os agricultores, com base no conhecimento, na experiência e na capacidade de adaptação que sempre caracterizaram o setor.

É esse o compromisso da Associação dos Agricultores do Ribatejo com o projeto ESG Agrifood, e é esse o caminho que agora iniciamos também através desta newsletter.

Luis Seabra
Luis Seabra Presidente Executivo AAR

A Voz Convidada

Sustentabilidade: mais um custo ou uma estratégia de competitividade?

Para muitas empresas e empresários, nomeadamente no setor agrícola e agroalimentar, a palavra “sustentabilidade” encontra-se ainda a ser encarada como mais uma exigência externa, associada a mais burocracia, mais custos e maior complexidade operacional. Mais uma “chatice”, em forma de modernice, vinda lá da Bruxelas… 

No entanto, esta leitura não só é redutora como é, sobretudo, desajustada.

A sustentabilidade deve ser entendida como aquilo que verdadeiramente é: uma estratégia de reforço da competitividade, de criação de valor e de preparação para o futuro.

No contexto do setor agroalimentar, esta visão é particularmente relevante. A pressão regulatória e as exigências dos consumidores são apenas parte da equação. Mesmo as micro e pequenas empresas, que por vezes acreditam estar à margem destas temáticas, dificilmente conseguirão adiar por muito tempo a sua integração. Ainda que não seja por via direta, as exigências do mercado funcionam em cascata: partem dos grandes operadores, atravessam distribuidores e transformadores, e acabam inevitavelmente por chegar a toda a cadeia de valor. Ignorar esta realidade é, hoje, um grave risco estratégico.

Importa, por isso, mudar o enquadramento do debate. Sustentabilidade não é sinónimo de complexidade e penalização, mas sim de eficiência, resiliência e capacidade de adaptação. Empresas que gerem melhor os seus recursos, que reduzem desperdícios, que cuidam das suas pessoas, que contribuem para os territórios onde se inserem, e que adotam práticas de governança responsáveis estão, regra geral, mais bem preparadas para enfrentar crises, criar valor, captar clientes e atrair parceiros e financiamento.

A própria origem do conceito moderno de sustentabilidade reforça esta perspetiva. A definição mais citada – “satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades” – foi popularizada por Gro Harlem Brundtland, então primeira-ministra da Noruega. Esta visão não fala de sacrifício estéril, mas de continuidade, equilíbrio e visão de longo prazo.

Ora, se há setor que materializa este conceito de forma prática e concreta, é precisamente o setor agrícola e agroalimentar. Num contexto onde encontramos empresas com dezenas e mesmo centenas de anos de existência, muitas delas ainda na posse das mesmas famílias, torna-se evidente que a sustentabilidade sempre fez parte do seu ADN. Nenhuma atividade económica, e muito menos uma atividade agrícola, consegue perdurar no tempo sem cuidar dos seus recursos naturais, sem transmitir conhecimento entre gerações, sem manter relações sólidas com trabalhadores, fornecedores e territórios.

O desafio que hoje enfrentamos não é, portanto, o de “inventar” sustentabilidade, mas o de a estruturar, medir e comunicar melhor. O setor agroalimentar está repleto de boas práticas nos três pilares ESG (ambiental, social e de governança) que muitas vezes permanecem invisíveis ou subvalorizadas. Esta falta de comunicação contribui para perceções negativas que não refletem a realidade de um setor inovador, competitivo, altamente responsável e profundamente ligado ao território.

Neste percurso, é igualmente fundamental que os decisores políticos, em particular a nível europeu, assegurem um enquadramento regulatório equilibrado. As exigências colocadas às empresas europeias devem ser proporcionais e acompanhadas pela garantia de que os produtos importados de países terceiros cumprem padrões equivalentes. Caso contrário, corre-se o risco de criar situações de concorrência desleal que penalizam quem investe na sustentabilidade e comprometem a competitividade do setor agroalimentar europeu.

Projetos como o ESG Agrifood, que a Associação de Agricultores do Ribatejo irá dinamizar durante os próximos dois anos em parceria com o Tagusvalley, têm aqui um papel determinante: ajudar os agricultores a reconhecer o valor do que já fazem bem, a identificar oportunidades de melhoria e, sobretudo, a transformar a sustentabilidade num ativo estratégico. Conhecer melhor os desafios e as exigências, colaborar com a cadeia de valor, dar visibilidade a exemplos concretos, partilhar boas práticas e criar uma linguagem comum são passos essenciais para reforçar a confiança do mercado e da sociedade no setor.

Em última análise, a sustentabilidade não é um destino, mas um caminho. Um caminho que, quando bem trilhado, não pesa — fortalece. E que, no agroalimentar, representa não apenas uma exigência do presente, mas uma condição para continuar a existir no futuro.

Diogo Palha
Diogo PalhaEconomista
Consultor em Sustentabilidade

Notícias

Projeto ESG Agrifood arrancou em março com Sessão no Tagusvalley

Sessão de Lançamento do Projeto ESG Agrifood realizou-se no dia 5 de março e reuniu empresários do setor agroalimentar no Tagusvalley

A Sessão de Lançamento do projeto ESG Agrifood realizou-se no passado dia 5 de março, nas instalações do Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia, em Abrantes, contando com a participação de mais de três dezenas de empresários do setor agroalimentar.

A sessão foi aberta pelo Presidente do Tagusvalley, Manuel Valamatos, que destacou a importância da inovação e da sustentabilidade como fatores determinantes para a competitividade e o futuro do setor agroalimentar.

Após a abertura, os participantes assistiram à apresentação de um vídeo introdutório do projeto, seguindo-se a apresentação dos seus objetivos e das principais atividades previstas.

Seguiram-se as intervenções de Ana Rovisco, Diretora de Sustentabilidade do Grupo Jerónimo Martins, e de Vítor Almeida, Diretor de Ambiente da Jerónimo Martins Agroalimentar, que abordaram a forma como os desafios da sustentabilidade se propagam ao longo da cadeia de valor agroalimentar. Na sua intervenção, explicaram como as exigências regulatórias e as dinâmicas de mercado associadas aos critérios ESG acabam por chegar, de forma inevitável, aos produtores agrícolas.

A sessão foi encerrada pelo Presidente da Associação dos Agricultores do Ribatejo, Luís Seabra, que destacou a importância do projeto para apoiar a fileira na adaptação aos novos desafios da sustentabilidade e da gestão responsável do território.

O projeto ESG Agrifood terá as suas atividades implementadas ao longo dos anos 2026 e 2027, envolvendo empresas e entidades do setor com o objetivo de promover práticas mais sustentáveis e preparar as organizações para as exigências ESG (Environmental, Social and Governance).

Website e vídeo do projeto ESG Agrifood já disponíveis online

Já é possível conhecer melhor o projeto ESG Agrifood através do novo website e vídeo de apresentação.

O projeto ESG Agrifood dispõe agora de um novo website e de um vídeo explicativo, concebidos para dar a conhecer os seus objetivos, abordagem e principais áreas de intervenção.

Estas ferramentas permitem uma leitura clara e acessível do projeto, explicando de que forma os critérios ESG — ambiental, social e de governação — se aplicam ao setor agrícola e agroalimentar, e quais os impactos esperados para os diferentes agentes da cadeia de valor.

O vídeo de apresentação reforça esta mensagem, traduzindo de forma simples os principais desafios e oportunidades associados à sustentabilidade no setor.

Com esta presença digital, a Associação dos Agricultores do Ribatejo dá mais um passo na disseminação do projeto, promovendo o acesso à informação e o envolvimento dos stakeholders. 

Visitar o website oficial: https://esg-agrifood.pt/

Nestlé acelera agricultura regenerativa na Europa

Multinacional reforça aposta em práticas regenerativas com impacto direto nos agricultores europeus.

A Nestlé anunciou uma parceria estratégica com a Soil Capital para expandir a agricultura regenerativa em vários países europeus, incluindo França, Bélgica e Reino Unido.

O programa prevê apoio técnico aos agricultores, utilização de ferramentas digitais para monitorização de indicadores ambientais e, sobretudo, a criação de incentivos financeiros baseados em resultados concretos — como a melhoria da saúde do solo, o aumento da matéria orgânica e a redução de emissões de carbono.

Neste contexto, os promotores da iniciativa sublinham o objetivo central da parceria: ao ligar incentivos financeiros a resultados verificados, a colaboração pretende apoiar os agricultores na transição, ao mesmo tempo que restaura a funcionalidade do solo, reduz o uso de fatores de produção e reforça a biodiversidade nas explorações.

Esta noticia é um exemplo de como as grandes empresas estão a incorporar critérios ESG nas suas cadeias de abastecimento, influenciando diretamente até as práticas agrícolas no terreno. 

A sustentabilidade deixa de ser apenas um conceito e passa a traduzir-se em métricas, contratos e remuneração.

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Associação dos Agricultores do Ribatejo participou na 2ª edição do Fórum da Agricultura Sustentável organizado pelo ECO.

Com a presença de diversas entidades e personalidades do setor, realizou-se em Santarém, no passado dia 24 de março, a 2ª edição do Fórum da Agricultura Sustentável, organizada pelo Jornal ECO.

A Associação dos Agricultores do Ribatejo esteve representada pelo seu Presidente, Luís Seabra, que participou no painel sobre “Os desafios e oportunidade da sustentabilidade no Ribatejo”.

O Fórum evidenciou que a sustentabilidade deixou de ser uma dimensão paralela para assumir um papel cada vez mais central na atividade agrícola, com destaque para a gestão eficiente dos recursos, a inovação tecnológica e a adaptação às exigências regulatórias e de mercado.

A participação da Associação constitui mais uma demonstração do compromisso dos agricultores do Ribatejo com a sustentabilidade, refletindo uma aposta clara na adoção de práticas mais responsáveis, resilientes e alinhadas com os princípios ESG (Ambientais, Sociais e de Governação).

Este compromisso é também visível na dinamização do projeto ESG Agrifood,

reforçando, assim, o alinhamento entre a ação no terreno e as principais linhas de reflexão a nível nacional, posicionando a Associação como um agente ativo na promoção de uma agricultura mais sustentável e competitiva.

Agenda

Feira Nacional de Agricultura 2026 – Feira do Ribatejo

A Feira Nacional de Agricultura / Feira do Ribatejo 2026 realiza-se no CNEMA, em Santarém, e terá como tema central os Pequenos Frutos.

A escolha do tema reflete a crescente importância desta fileira na agricultura nacional, associada ao aumento do interesse dos consumidores por produtos de elevado valor nutricional e ao dinamismo económico que estas culturas têm vindo a ganhar. 

A FNA é particularmente relevante por funcionar como espaço de encontro, inovação e reflexão sobre os desafios atuais da agricultura portuguesa, incluindo a modernização, a competitividade e a sustentabilidade das explorações.

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Data do Evento
06/06/2026 – 14/06/2026

Local / Formato
Santarém – CNEMA | Presencial

Transform Food & Agriculture Europe 2026

Conferência europeia dedicada à transformação dos sistemas alimentares e agrícolas, com foco em resiliência, inovação e sustentabilidade.

O Transform Food & Agriculture Europe 2026, organizado pela Reuters Events, reúne líderes do setor agroalimentar para debater como construir sistemas alimentares mais resilientes num contexto de riscos climáticos, pressão regulatória e instabilidade nas cadeias de abastecimento.

O evento destina-se a decisores, empresas alimentares, setor agrícola, retalho, responsáveis de sustentabilidade, inovação, procurement, supply chain e ESG. 

É particularmente relevante para acompanhar tendências como agricultura e dados, redução de emissões Scope 3, inovação sustentável, adaptação climática, cadeias de abastecimento resilientes e novas formas de colaboração ao longo da cadeia de valor.

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Data do Evento
12/10/2026 – 13/10/2026

Local / Formato
Amesterdão, Países Baixos | Presencial

Save the date

FÓRUM DA SUSTENTABILIDADE ESG AGRIFOOD

Integrado nas comemorações dos 50 anos da Associação dos Agricultores do Ribatejo, e no âmbito do projeto ESG AGRIFOOD, terá lugar em novembro o Fórum da Sustentabilidade.

No exato dia do 50º aniversário da Associação dos Agricultores do Ribatejo, 19 de novembro de 2026, terá lugar o Fórum da Sustentabilidade ESG Agrifood.

Pretende-se que este evento venha a ser um espaço de encontro e reflexão sobre os principais desafios e oportunidades associados à sustentabilidade no setor agrícola, mas também uma oportunidade para celebrar o tanto e tão bem que os agricultores já fazem.

O evento servirá ainda como oportunidade de apresentação pública de alguns resultados do projeto ESG Agrifood, nomeadamente o Guia de mapeamento regulatório, reforçando a ambição da Associação dos Agricultores do Ribatejo de disponibilizar ferramentas úteis e concretas para apoiar os agentes do setor.

Data do Evento
19/11/2026

Local / Formato
Local brevemente anunciado – Presencial