Newsletter ESG Agrifood #3 – Setembro 2026
A Voz da Direção
Sustentabilidade é o passado, presente e futuro das explorações agrícolas
A sustentabilidade na agricultura não é uma moda recente. Quem trabalha a terra há décadas sabe que os seus antepassados já praticavam uma agricultura baseada no respeito pelos recursos naturais, porque deles dependia o seu sustento e o das gerações vindouras. Evitava-se o desperdício, guardava-se e aproveitava-se, os solos eram protegidos através das rotações de culturas e os animais faziam parte de um equilíbrio natural dentro das explorações.
No passado, a agricultura era feita com menos tecnologia, mas com um conhecimento profundo da terra e dos ciclos da natureza. Produzia-se menos, é verdade, mas também se consumia menos energia e menos produtos externos à exploração. O agricultor era, como hoje, um conhecedor de cada parcela, cada nascente e cada sinal do clima.
Com o passar dos anos, a necessidade de aumentar a produção trouxe mecanização, fertilizantes, produtos fitofarmacêuticos e sistemas mais intensivos. Esta evolução permitiu alimentar uma população crescente e acabar com a fome em algumas geografias. Como consequência assistimos a uma modernização do sector agrícola. No entanto, também trouxe desafios importantes: erosão dos solos, maior consumo de água, perda de biodiversidade e aumento dos custos de produção.
Sustentabilidade significa nunca perder este equilíbrio: Produzir mais e melhor, com uma preocupação de preservação dos recursos para as próximas gerações.
As explorações agrícolas estão já a adaptar-se: utilizam rega mais eficiente, agricultura de precisão, energias renováveis, valorizam resíduos agrícolas e práticas que protegem os solos e promovem a biodiversidade. O agricultor moderno é, também, um gestor ambiental.
O futuro da agricultura dependerá da capacidade de conciliar inovação com responsabilidade. A tecnologia será fundamental — sensores, inteligência artificial, novas variedades mais resistentes e sistemas de produção mais eficientes — mas nunca substituirá o papel do agricultor enquanto guardião da terra.
Sustentabilidade não é produzir menos, é produzir com inteligência, com respeito pelo ambiente, pelos parceiros e garantindo rendimento para quem trabalha no campo. Sem agricultores não há alimentos e, sem sustentabilidade não haverá agricultura no futuro.
O projeto ESG Agrifood, que Associação de Agricultores do Ribatejo está a dinamizar, tem como principal objetivo tentar que esta temática seja tratada e implementada com base naquilo que nós, produtores, precisamos, e não como algo que nos é simplesmente imposto.
Além de melhorar práticas que possam ainda não estar a ser devidamente tratadas, grande parte do trabalho que nos é pedido neste contexto não é mais do que descrever, organizar e documentar aquilo que já fazemos.
Este tipo de processos mais administrativos trazem as suas exigências, são por vezes difíceis de implementar e parecem contrários à génese das nossas empresas, mas, quando bem enquadrados, trazem-nos sempre mais valias organizacionais, produtivas, e, consequentemente, económicas.
Desafiamos a que estejam atentos às notícias que vão saindo em relação projeto ESG Agrifood e participem nas suas atividades, a começar já no Fórum da Sustentabilidade que iremos em novembro, por ocasião dos 50 anos da Associação dos Agricultores do Ribatejo, pois, através deste projeto, estamos a criar uma dinâmica com várias atividades com o intuito de dar visibilidade e conhecimento de toda esta temática da sustentabilidade, feita de uma forma simples e pensada para servir os agricultores nas realidades do seu dia a dia.
A Voz Convidada
Sustentabilidade também se faz com pessoas: Quem vai trabalhar no setor agroalimentar de amanhã?
Quando falamos de sustentabilidade no setor agroalimentar, pensamos na água, no solo, na biodiversidade e nas alterações climáticas. Falamos também de digitalização, agricultura de precisão e inteligência artificial. Mas nenhuma destas transformações será possível sem pessoas capazes de as concretizar. A sustentabilidade pressupõe continuidade, e essa continuidade depende de atrair, formar e reter uma nova geração de profissionais.
Os resultados da primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior de 2026 trazem esta questão para o centro da discussão. Num ano em que foram colocados 49.991 estudantes, mais 13,9% do que em 2025, a taxa global de ocupação das vagas chegou aos 88,9%. Ainda assim, vários cursos das ciências agrárias e agroalimentares registaram uma procura reduzida.
José Palha chamou recentemente a atenção para o problema no artigo “Agricultura sem alunos, agricultura sem futuro?”. Em Agronomia, na Escola Superior Agrária de Beja, ficaram por ocupar 46 das 49 vagas iniciais; em Santarém, 49 das 58; e, em Engenharia Agronómica, em Bragança, as 25 vagas permaneceram disponíveis. Na Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS), ficaram por preencher 11 das 20 vagas de Biologia e Biotecnologia Alimentar e 26 das 27 de Qualidade Alimentar e Nutrição Humana. Enfermagem Veterinária, por sua vez, preencheu todas as vagas. A procura não é, portanto, igual em todos os cursos.
Estes números dizem respeito apenas à primeira fase. A segunda fase será divulgada a 30 de setembro, depois do fecho deste artigo, e existem outras vias de ingresso que o Concurso Nacional de Acesso não retrata. É preciso ter essa prudência na leitura dos dados, sem ignorar o sinal que nos dão.
A leitura isolada das vagas por preencher pode sugerir um problema restrito às escolas. Na verdade, importa perceber o que esses lugares vazios representarão quando a geração que agora se candidata deveria estar a entrar no mercado de trabalho. Menos estudantes hoje podem significar menos capacidade para responder às necessidades do setor daqui a alguns anos.
Poucos candidatos num setor que precisa de profissionais
A menor procura de alguns cursos não significa que as empresas precisem de menos diplomados. Na ESAS recebemos regularmente pedidos de acolhimento de estudantes em estágio e ofertas de emprego para os nossos diplomados. Em todas as áreas, temos mais oportunidades do que estudantes disponíveis para lhes dar resposta. O problema já se faz sentir fora das instituições de ensino.
Quem procura um técnico para uma exploração ou uma empresa alimentar sabe que a falta de candidatos tem consequências práticas. Um posto por preencher pode atrasar a implementação de uma nova tecnologia, limitar o acompanhamento da produção ou dificultar projetos de inovação. São efeitos que não se resolvem quando se publica uma oferta de emprego: a formação de um profissional demora anos.
Se hoje há dificuldade em encontrar profissionais, o que acontecerá daqui a cinco ou dez anos se continuarmos a formar tão poucos jovens nestas áreas? As empresas necessitam de competências cada vez mais diversas: gestão da água e do solo, agricultura de precisão, análise de dados, biotecnologia, qualidade e segurança alimentar, valorização de subprodutos e adaptação às alterações climáticas. Os investimentos em tecnologia e sustentabilidade só produzirão resultados se houver pessoas preparadas para os usar e para tomar decisões a partir deles.
A própria parceria europeia para as competências do ecossistema agroalimentar (AgriFood Pact for Skills) identifica carências de profissionais qualificados, entre os quais agrónomos, especialistas em economia circular e biotecnologia e tecnólogos alimentares. Há aqui um desfasamento: à medida que o setor se torna mais exigente e mais dependente de conhecimento, algumas das formações de que precisa têm dificuldade em captar estudantes.
O impacto poderá chegar a diferentes pontos da cadeia de valor. Sem técnicos e engenheiros suficientes, as explorações terão mais dificuldade em adotar práticas que poupem água e protejam o solo. Sem profissionais da área alimentar, as empresas podem ver limitada a capacidade de desenvolver produtos, garantir a sua qualidade e responder a novas exigências dos consumidores. A escassez de talento não é apenas uma estatística de ensino superior: pode tornar-se um limite à inovação e à competitividade.
A renovação geracional torna a situação ainda mais urgente. Apenas cerca de 12% das explorações agrícolas da União Europeia são geridas por agricultores com menos de 40 anos. Mas não basta pensar em quem ficará à frente das explorações. É igualmente necessário formar quem presta assistência técnica, desenvolve inovação, transforma alimentos e assegura a qualidade e a segurança das produções. A dimensão social da sustentabilidade, tantas vezes resumida ao “S” de ESG, começa também na disponibilidade destas pessoas.
Uma exploração pode adquirir equipamentos modernos e uma indústria pode estabelecer metas ambientais ambiciosas. Para que esses investimentos façam diferença, alguém terá de interpretar dados, ajustar processos, avaliar resultados e corrigir erros. Por isso, quando discutimos sustentabilidade e critérios ESG, as competências e a renovação dos recursos humanos devem ter tanta atenção como os investimentos materiais.
Mostrar aos jovens o setor que existe hoje
As instituições de ensino superior têm responsabilidades claras. Devemos atualizar os programas dos cursos, algo que tem vindo a ser feito nos últimos anos, reforçar a formação prática, aproximar os estudantes das empresas e mostrar melhor as profissões que hoje existem na agricultura e na indústria alimentar. Ainda há uma distância grande entre a imagem tradicional da agricultura e o trabalho realizado nas explorações e empresas mais inovadoras, onde se usam sensores, dados, automação e biotecnologia para responder a problemas concretos.
Essa aproximação não deve limitar-se à apresentação de equipamentos novos. Os estudantes precisam de trabalhar com questões que reconheçam como relevantes: como reduzir perdas de água numa cultura, valorizar um subproduto alimentar ou assegurar a qualidade de um alimento, entre muitos outros. Quando percebem que a ciência e a tecnologia ajudam a resolver estes problemas, torna-se mais fácil imaginar um percurso profissional no setor. Cabe-nos mostrar essa ligação com clareza, sem criar uma imagem idealizada das profissões.
Esse contacto deve começar antes da candidatura ao ensino superior. Uma visita a uma exploração agrícola ou a uma unidade de transformação pode ajudar um estudante do ensino secundário a descobrir uma profissão que nunca tinha considerado. Ao longo do percurso escolar, vale a pena dar mais visibilidade à agricultura sustentável, à segurança alimentar e às oportunidades de carreira no setor.
É também importante ouvir o que afasta os jovens destas formações. Pode ser uma ideia desatualizada das profissões, mas podem contar igualmente a localização dos cursos, os custos de estudar longe de casa ou a perceção das condições de trabalho. Se não distinguirmos estas razões, corremos o risco de comunicar melhor uma oferta que continua inacessível ou pouco apelativa para muitos candidatos.
Mas as escolas não conseguem fazer isto sozinhas. Se as empresas precisam de profissionais, devem participar desde cedo na sua formação: abrir as portas a visitas, levar problemas reais às aulas (cocriação), receber estagiários, colaborar em projetos e ajudar a identificar as competências de que irão precisar. Também importa oferecer condições de trabalho e perspetivas de progressão que levem os jovens a permanecer no setor. A relação não pode começar apenas quando surge uma vaga por preencher.
Uma resposta conjunta para o Ribatejo e para o setor
A falta de candidatos, a dificuldade de recrutamento e a renovação geracional são partes do mesmo problema. Instituições de ensino, empresas, agricultores, associações, cooperativas, escolas e entidades públicas precisam de conhecer melhor a sua dimensão: quantos profissionais serão necessários nos próximos anos, em que áreas e com que qualificações? E porque não estão mais jovens a escolher estes cursos? Sem ouvir os jovens e as organizações que os irão empregar, dificilmente encontraremos respostas eficazes.
Há medidas concretas a construir em conjunto: contactos mais frequentes com escolas secundárias, estágios e projetos desenvolvidos com empresas, bolsas, participação do setor na definição de competências e melhor informação sobre as profissões. Alojamento, mobilidade e condições de trabalho também influenciam as escolhas dos jovens. Em territórios como o Ribatejo, onde a agricultura e a indústria alimentar têm uma presença forte, esta colaboração é especialmente importante.
Uma resposta regional poderia começar por reunir instituições de ensino e organizações do setor em torno de necessidades concretas de recrutamento. Esses dados ajudariam a orientar visitas, estágios, projetos e apoios aos estudantes, evitando que cada entidade atue isoladamente. Também permitiriam acompanhar se os jovens que se formam na região encontram oportunidades para ficar. Formar mais pessoas é essencial, mas será pouco eficaz se depois não conseguirmos retê-las.
Não podemos pedir à agricultura que produza melhor, use menos recursos, se adapte ao clima e incorpore novas tecnologias sem cuidar de quem irá fazer esse trabalho. Os números da primeira fase são um aviso, não uma sentença sobre o futuro destes cursos. Ainda vamos a tempo de aproximar os jovens do setor e de lhes dar boas razões para escolher e permanecer nele.
A sustentabilidade também se faz com pessoas.
E, tal como acontece na agricultura, se queremos colher no futuro, temos de começar a semear hoje.
Notícias
AAR participa na criação da GESTEJO para reforçar a gestão da água e do território
A Associação dos Agricultores do Ribatejo participou ativamente na criação da GESTEJO – Associação de Gestão dos Recursos Hídricos, Ordenamento e Desenvolvimento do Território Rural, recentemente constituída. A nova associação nasce com o objetivo de contribuir para uma abordagem mais integrada à gestão da água, ao ordenamento e ao desenvolvimento sustentável do território rural.
A gestão da água e do território são desafios fundamentais para o futuro da agricultura no Ribatejo.
Num território com várias infraestruturas votadas ao quase abandono e num contexto marcado por pressão sobre os recursos hídricos, necessidade de reforço da capacidade de armazenamento e utilização eficiente da água, torna-se cada vez mais importante criar estruturas capazes de promover uma abordagem articulada e de longo prazo.
É neste contexto que foi recentemente constituída a GESTEJO – Associação de Gestão dos Recursos Hídricos, Ordenamento e Desenvolvimento do Território Rural. A Associação dos Agricultores do Ribatejo participa nesta nova estrutura, reforçando a sua intervenção num domínio que considera estratégico para a sustentabilidade e competitividade da agricultura regional.
A criação da GESTEJO pretende contribuir para uma visão mais integrada da gestão dos recursos hídricos, do ordenamento do território e do desenvolvimento rural, promovendo a articulação entre os diferentes agentes com responsabilidades ou interesses nestas matérias.
Para o setor agrícola, esta abordagem é particularmente relevante. A disponibilidade de água, as condições de acesso, o planeamento das infraestruturas, a compatibilização dos diferentes usos e a adaptação aos riscos climáticos são fatores que influenciam diretamente a capacidade produtiva e a resiliência das explorações.
A participação da AAR na GESTEJO está também alinhada com o trabalho que a Associação tem vindo a desenvolver na monitorização dos recursos hídricos do Tejo, no apoio ao licenciamento de captações e na defesa de soluções que permitam reforçar a segurança hídrica do território.
A nova associação representa, assim, uma oportunidade para reforçar a cooperação, conhecimento e capacidade de intervenção coletiva em torno de recursos essenciais para o futuro económico, social e ambiental do território.
TERRA’26 reuniu mais de 1.700 participantes em torno da agricultura regenerativa
A primeira edição do TERRA’26 – Enraizados no Futuro, realizada nos dias 9 e 10 de setembro, na Quinta da Melhorada, na Azinhaga, reuniu mais de 1.700 agricultores, técnicos, investigadores, empresas e decisores. O encontro colocou a agricultura regenerativa no centro do debate, aproximando ciência, prática agrícola, inovação e sustentabilidade económica das explorações.
Nos dias 9 e 10 de setembro, a Quinta da Melhorada, na Azinhaga, recebeu a primeira edição do TERRA’26 – Enraizados no Futuro, apresentado como o primeiro evento profissional em Portugal inteiramente dedicado à agricultura regenerativa. Ao longo de dois dias, o encontro reuniu mais de 1.700 participantes, entre agricultores, técnicos, investigadores, estudantes, empresas e decisores, criando um espaço comum de debate, demonstração e partilha de conhecimento.
O programa combinou conferências, demonstrações de campo, ensaios, exposição de soluções e momentos de discussão técnica. A edição contou com cerca de 46 sessões, 60 oradores e 40 expositores, abordando temas como saúde do solo, gestão da água, biodiversidade, custos de produção, alimentação, renovação geracional e futuro das explorações agrícolas.
Um dos elementos distintivos do TERRA’26 foi precisamente a tentativa de aproximar o conhecimento científico da realidade das explorações. O próprio campo assumiu-se como espaço de aprendizagem, permitindo observar, discutir e questionar práticas regenerativas e soluções com potencial aplicação concreta na atividade agrícola. A organização sublinhou também a importância de avaliar estas práticas sem perder de vista a rentabilidade das explorações.
Do ponto de vista da sustentabilidade, o evento mostrou uma abordagem particularmente relevante para o setor: regenerar solos, reduzir a dependência de fatores de produção, melhorar a utilização da água e dos nutrientes, reforçar a biodiversidade e aumentar a resiliência das explorações são objetivos ambientais, mas também desafios diretamente ligados à competitividade económica e à capacidade de continuidade da atividade agrícola.
A primeira edição procurou, assim, colocar na mesma discussão agricultura, ambiente, economia, território e inovação, reforçando a ideia de que a transição para sistemas agrícolas mais sustentáveis depende da capacidade de testar soluções, medir resultados e adaptá-las às condições concretas de cada exploração.
Agroanalítica vai mapear os principais riscos ESG da Lezíria e Médio Tejo
No âmbito do projeto ESG Agrifood, a Associação dos Agricultores do Ribatejo contratou a Agroanalítica para desenvolver um Guia de Mapeamento de Riscos ESG aplicado ao território da Lezíria e Médio Tejo. O trabalho pretende identificar e caracterizar os principais riscos ambientais, sociais e de governança com potencial impacto sobre a atividade agrícola e agroalimentar da região.
Conhecer, com detalhe, os principais riscos que podem afetar a atividade agrícola é uma condição essencial para melhorar a capacidade de antecipação, adaptação e tomada de decisão das empresas. É com esse objetivo que, no âmbito do projeto ESG Agrifood, a Associação dos Agricultores do Ribatejo contratou a Agroanalítica para a realização de um Guia de Mapeamento de Riscos ESG no território da Lezíria e Médio Tejo.
O trabalho irá analisar o território a partir das três dimensões ESG — ambiental, social e de governação — procurando identificar e mapear os principais fatores de risco suscetíveis de influenciar a atividade das explorações agrícolas e das empresas agroalimentares.
Na componente ambiental poderão estar em causa matérias como a disponibilidade e gestão da água, exposição a fenómenos meteorológicos extremos, características dos solos, biodiversidade ou outros condicionantes associados ao uso dos recursos naturais. A análise procurará igualmente incorporar fatores sociais, bem como aspetos de governança e gestão do território que influenciam a atividade económica, a relação com as comunidades e a capacidade de resposta das empresas.
O Guia deverá contribuir para que agricultores e empresas possam compreender melhor os riscos a que estão expostos, antecipar tendências e identificar áreas onde poderá ser necessário reforçar medidas de prevenção, adaptação ou gestão. Desta forma, o mapeamento de riscos deixa de ser apenas um exercício de diagnóstico e passa a funcionar como instrumento de apoio à decisão e à resiliência empresarial.
Esta atividade integra o conjunto de ferramentas que o ESG Agrifood está a desenvolver para apoiar a incorporação dos princípios de sustentabilidade no setor agrícola e agroalimentar, procurando traduzir conceitos ESG em informação prática e adaptada às características do território.
Comissão Europeia define prioridades de inovação para uma agricultura mais competitiva, resiliente e sustentável
A Comissão Europeia apresentou, no passado dia 8 de setembro, uma nova abordagem estratégica para a investigação e inovação no setor agroalimentar europeu, estruturada em dois quadros complementares: AgRI 2040 e Food 2040
A Comissão Europeia adotou, a 8 de setembro de 2026, uma nova abordagem estratégica para orientar a investigação e inovação europeias nas áreas da agricultura, floresta, zonas rurais e sistemas alimentares até 2040.
A estratégia integra dois quadros complementares. O AgRI 2040 concentra-se na agricultura, floresta e territórios rurais e inclui áreas como solos e agroecossistemas, sistemas de produção vegetal e animal, bioeconomia, cadeias de valor, digitalização, inteligência artificial e robótica. O Food 2040, por sua vez, olha para o sistema alimentar de forma mais abrangente, incluindo transformação, distribuição, consumo, eficiência de recursos, circularidade e redução de impactos ambientais.
Estes quadros não constituem, por si só, novos regulamentos ou programas de financiamento. Funcionam antes como uma orientação estratégica para as prioridades futuras de investigação, inovação, demonstração e adoção tecnológica na União Europeia, procurando reforçar a ligação entre conhecimento científico, teste de soluções, investimento, mercado e utilização prática. No caso do Food 2040, estas áreas deverão também orientar atividades de investigação e inovação no âmbito do Horizon Europe 2028–2034.
A sustentabilidade ocupa um lugar central nesta estratégia. A Comissão pretende apoiar soluções que contribuam simultaneamente para uma melhor utilização dos recursos naturais, adaptação às alterações climáticas, circularidade, proteção dos solos e da biodiversidade, mas também para uma agricultura mais produtiva, competitiva e resiliente. Entre as prioridades comuns encontram-se ainda a segurança alimentar, a preparação para riscos, cadeias de valor mais justas e o reforço da competitividade das empresas europeias.
Para os agricultores, o interesse destes quadros estará sobretudo na forma como estas prioridades se traduzirão progressivamente em novos projetos, demonstrações, tecnologias, instrumentos de apoio e oportunidades de participação em iniciativas de inovação. A intenção declarada da Comissão é precisamente acelerar a chegada de novas práticas e tecnologias às explorações, envolvendo agricultores, empresas, investigadores e serviços de aconselhamento na criação e teste de soluções adaptadas às necessidades reais do setor.
Áreas como a gestão eficiente da água e dos nutrientes, saúde dos solos, agricultura de precisão, inteligência artificial, robótica, novas soluções de produção, bioeconomia e economia circular deverão, assim, ganhar crescente importância nos programas europeus de investigação e inovação e na transferência de conhecimento para o setor agrícola.
Saiba mais em: Comissão Europeia – Nova abordagem estratégica para investigação e inovação no setor agroalimentar
Agenda
GROW Learn: Autumn School 2026
Entre 13 e 28 de outubro de 2026, a GROW Learn: Autumn School regressa em formato online com uma edição dedicada aos desafios emergentes da produção agrícola e às soluções que podem reforçar a resiliência do setor. A formação aborda temas como biologia do solo, agricultura de precisão, pegada de carbono, stress abiótico e transformação digital.
A GROW Learn: Autumn School 2026 decorre online entre os dias 13 e 28 de outubro, sob o tema “Do Risco à Resiliência: Preparar a Produção Agrícola para as Novas Exigências”.
Ao longo de três semanas, a iniciativa organiza-se em seis sessões dirigidas a agricultores, técnicos, consultores e profissionais do setor agroalimentar, procurando aproximar os principais riscos e exigências que hoje afetam a produção agrícola das soluções científicas, tecnológicas e práticas que podem ajudar o setor a adaptar-se.
Entre os temas previstos estão o enquadramento regulatório de aplicações baseadas em biologia do solo, a utilização de microalgas na mitigação do stress abiótico, os biorreatores, a segurança na importação de frutas e vegetais e a resistência microbiana. O programa dedica também espaço à agricultura de precisão e digitalização, à pegada de carbono na agricultura e à preparação do setor para os desafios futuros.
A iniciativa é promovida no âmbito do programa europeu GROW, apoiado pelo EIT Food, e coordenada pela Food4Sustainability, em parceria com a BGI – Sustainable Ventures, Lund University, Queen’s University Belfast e New Agriculture New Generation.
Para o setor agrícola, esta formação é particularmente relevante por cruzar sustentabilidade, inovação e gestão de risco, oferecendo conhecimento aplicável à melhoria da eficiência produtiva, à redução de impactos ambientais e ao reforço da capacidade de adaptação das explorações a novas exigências regulatórias, climáticas e de mercado.
Saiba mais em: https://learning.eitfood.eu/courses/grow-learn-autumn-school
Data do Evento
13-10-2026 a 28-10-2026
Local / Formato
Online
II Congreso Ibérico de Olivicultura – Olivicultura num contexto de mudança global: Inovação, Sustentabilidade e Território
O II Congresso Ibérico de Olivicultura realiza-se de 20 a 23 de outubro, em Córdoba, sob o lema “Olivicultura num contexto de mudança global: Inovação, Sustentabilidade e Território”. O encontro reúne investigadores, técnicos, empresas e profissionais do setor para debater os principais desafios e oportunidades da olivicultura ibérica num contexto de transformação climática, tecnológica e económica.
De 20 a 23 de outubro de 2026, Córdoba recebe a segunda edição do Congresso Ibérico de Olivicultura, uma iniciativa que integra também o XI Simpósio Nacional de Olivicultura e as IX Jornadas Nacionais do Grupo de Olivicultura.
Sob o lema “Olivicultura num contexto de mudança global: Inovação, Sustentabilidade e Território”, o congresso pretende promover a partilha de conhecimento e o debate em torno da evolução do setor olivícola, cruzando ciência, inovação, sustentabilidade e prática agrícola. O programa inclui dois dias de congresso científico, uma visita técnica e uma jornada aberta dedicada ao tema “O olival em tempos de mudança: tendências em variedades, plantações e mercado”, promovendo o diálogo entre investigadores, empresas e profissionais do setor.
O evento é coorganizado pela Associação Portuguesa de Horticultura, Sociedade Espanhola de Ciências Hortícolas, Instituto de Agricultura Sustentável do CSIC, IFAPA e Universidade de Córdoba, reforçando a sua dimensão ibérica e a cooperação entre Portugal e Espanha.
Num contexto marcado por alterações climáticas, pressão sobre os recursos naturais, evolução tecnológica e novas exigências de mercado, o congresso assume particular relevância por colocar a sustentabilidade do olival no centro da discussão, abordando simultaneamente a necessidade de garantir produtividade, competitividade e adaptação dos sistemas de produção.
Saiba mais em: https://aphorticultura.pt/eventos/IBEROLIVE26/?lang=es#apresentacao
Data do Evento
20-10-2026 a 23-10-2026
Local / Formato
Córdoba – Espanha | Presencial
Synergy Days 2026
Nos dias 20 e 21 de outubro de 2026, Kilkenny, na Irlanda, recebe o Synergy Days 2026, um dos principais encontros europeus dedicados à inovação digital no setor agroalimentar. O evento reunirá agricultores, empresas, investigadores, decisores públicos e projetos europeus para discutir temas como inteligência artificial, partilha de dados, interoperabilidade, sustentabilidade e transformação digital das cadeias de valor.
O Synergy Days 2026 realiza-se nos dias 20 e 21 de outubro, em Kilkenny, Irlanda, reunindo a comunidade europeia de inovação agroalimentar em torno do papel que os dados e as tecnologias digitais podem desempenhar na transformação do setor.
Ao longo de dois dias, o programa inclui conferências, workshops interativos, apresentação de projetos europeus e casos práticos, com particular destaque para temas como inteligência artificial, partilha e interoperabilidade de dados, espaços de dados confiáveis, sustentabilidade e digitalização das cadeias de valor agroalimentares. agrifoodTEF
A edição de 2026 dará também especial atenção à passagem da inovação da investigação para a utilização real no terreno. Uma das sessões previstas aborda precisamente a forma como a inovação europeia pode gerar valor para agricultores e para o setor agrícola, explorando a ligação entre dados agrícolas, sistemas de conhecimento e inovação e o futuro Espaço Europeu Comum de Dados Agrícolas. Outra sessão será dedicada ao desafio de fazer chegar soluções de inteligência artificial para além dos projetos-piloto e colocá-las efetivamente ao serviço das empresas e explorações.
A sustentabilidade surge aqui associada à capacidade de utilizar melhor a informação e a tecnologia para aumentar eficiência, apoiar decisões, reduzir desperdícios de recursos, melhorar a rastreabilidade e tornar os sistemas agroalimentares mais resilientes e competitivos. O evento constitui, por isso, uma oportunidade para acompanhar algumas das soluções e projetos que estão a moldar a transformação digital da agricultura europeia.
O Synergy Days 2026 é promovido pela comunidade SmartAgriHubs, com o apoio da parceria AgData, e foi reconhecido como evento associado à Presidência Irlandesa do Conselho da União Europeia de 2026. Está ainda prevista, para 22 de outubro, uma jornada opcional de visitas de campo.
Saiba mais em: https://www.synergyportal.eu/synergy-days
Data do Evento
20-10-2026 a 21-10-2026
Local / Formato
Kilkenny – Irlanda | Presencial
Save the date
FÓRUM DA SUSTENTABILIDADE ESG AGRIFOOD – 50 ANOS DA AAR
Integrado nas comemorações dos 50 anos da Associação dos Agricultores do Ribatejo, e no âmbito do projeto ESG AGRIFOOD, terá lugar no próximo dia 19 de novembro o Fórum da Sustentabilidade.
No exato dia do 50º aniversário da Associação dos Agricultores do Ribatejo, 19 de novembro de 2026, terá lugar o Fórum da Sustentabilidade ESG Agrifood.
Este dia de comemoração será um espaço de encontro e reflexão sobre os principais desafios e oportunidades associados à sustentabilidade no setor agrícola, mas também uma oportunidade para celebrar o tanto e tão bem que os agricultores já fazem.
O evento servirá ainda como oportunidade de apresentação pública de alguns resultados do projeto ESG Agrifood, nomeadamente o Guia de mapeamento regulatório, reforçando a ambição da Associação dos Agricultores do Ribatejo de disponibilizar ferramentas úteis e concretas para apoiar os agentes do setor.
Data do Evento
19/11/2026
Local / Formato
Casa do Campino (Santarém) – Presencial